
Os shoppings centers, produtos do capitalismo que revolucionaram a concepção de mercado na relação compra-e-venda, conciliaram o conforto, lazer e segurança, bem como introduziram novos elementos no processo de administração e gerenciamento das empresas. Ao longo de mais de 50 anos da implantação dos primeiros shoppings centers, até hoje é óbvio que muitas alterações ocorreram no mercado. O perfil do consumidor mudou várias vezes: surgiram novas técnicas de comercialização, nasceu o fenômeno da globalização e a tecnologia foi introduzida em todas as áreas.
Em relação aos ‘shoppings virtuais’ introduzido de forma oficial em 1995, logo após a internet comercial, já dando sinais de suas reais pretensões, engatinhou a princípio, mas já no final da década já crescia a passos largos. Na época divulguei que a OMC – Organização Mundial de Comércio estava discutindo sistematicamente o comércio eletrônico devido à sua rápida ascensão tão surpreendente, que as previsões desse organismo há seis meses seria que no final de 2000 esse meio de comercialização atingiria mundialmente a cifra de U$ 400 bilhões, chegando ao final de 1999 em U$ 180 bilhões.
Diante dos números, da época, eu disse que a utilização da Internet como meio de venda e distribuição de bens e serviços iria realizar nova revolução em todo processo de comercialização, no âmbito de distribuição, empregabilidade, espaços físicos e tecnologia. Isso porque tal meio de comercialização já era uma realidade influindo muito no comércio tradicional drenando clientes e faturamento.
Para se ter uma ideia do quanto evoluiu as vendas via internet, vale informar os números atingidos no ano passado, no Brasil. Segundo a E-bit, empresa especializada em informações do comércio eletrônico, em 2014 o setor movimentou a cifra de R$ 35,8 bilhões, com mais de 51,5 milhões de consumidores únicos, e 10,2 milhões entrantes. Hoje são 61,6 milhões de e-consumidores únicos, ou seja, aqueles que já fizeram ao menos uma compra online. Somente na ação Black Friday o e-commerce vendeu no ano passado R$ 1,16 bilhão.
O número de e-consumidores aumenta e isso tem feito com que o e.commerce conquiste cada vez mais novas fatias do faturamento. As categorias classificadas dentre as mais comercializadas via empreendimentos na internet são: Moda e Acessórios, com (17%); Cosméticos e Perfumaria/Cuidados Pessoais/Saúde (15%); Eletrodomésticos (12%); Telefonia e Celulares (8%) e Livros/Assinaturas e Revistas (8%). O comércio eletrônico não para de crescer e de se legitimar como um forte concorrente do comércio tradicional, inclusive dos que já foram considerados inovadores e também uma revolução. Prova é que já chegou a ultrapassar as vendas de shoppings centers, no maior centro comercial do país, São Paulo. Os comerciantes que caminharem lado a lado das duas formas de fazer negócios, de maneira profissional serão os que mais colherão resultados, principalmente porque estarão possibilitando mais alternativas de escolhas aos consumidores.
Pedro Nadaf é presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso-Fecomércio/Sesc e Senac-MT