Nos últimos dias os olhos do mercado estão mais abertos para a China. A segunda economia do ranking mundial está desacelerando e isso é preocupante. O país experimentou a partir da década de 90 vertiginoso crescimento.
Vale lembrar que nos anos 80 sua participação no comercio mundial era de apenas 1%, e cresceu por três décadas na ordem de 10% em seu PIB, até o ano de 2010, conforme aponta Andrew Walker, analista de economia do Serviço Mundial da BBC News. No ano passado o país teve 7,4% de crescimento, e a previsão é de que as quedas serão sucessivas, sendo que o Fundo Monetário Internacional-FMI prevê o fechamento deste ano na ordem de 6,8% e para o próximo ano 6,3%.
A pauta de exportação da China, no decorrer dos últimos 30 anos, mudou muito dos bens de consumo leves, como têxteis, vestuário, calçados, passou para equipamentos eletrônicos, peças e partes de equipamentos industriais, equipamentos de informática, etc. O país afetou com sua performance, inclusive, à indústria americana, que não teve condições de competitividade com produtos chineses. No ano passado o poder de compra chinês ultrapassou, o da terra do Tio Sam.
Tendo-se em vista que a China não é somente exportadora, os países que fornecem a matéria prima para a mais forte economia asiática, obviamente têm seus respectivos graus de preocupações. Vale salientar que se trata do terceiro maior mercado para a União Europeia e o quarto principal destino das vendas do Reino Unido e cooperação com a China estreitando cada vez mais seus laços.
Mato Grosso, um dos estados brasileiros de alta performance por suas commodities, tem há décadas estreitado seus laços com a China,ajudando o país a conquistar uma fatia significativa desse mercado colossal,de 1,3 bilhão de habitantes.
Recentemente, seguindo a boa trajetória iniciada em gestões anteriores,na esteira das boas relações internacionais, de Mato Grosso com a China, o governo do estado recebeu comitiva chinesa que tem acordo trilateral firmado com o Brasil e o Peru, visando melhorar as condições de logística para ampliar mercados via rota do Oceano Pacífico, sendo que a construção da ferrovia transcontinental coloca este sonho mais próximo da realização, e seu traçado inclui o território mato-grossense, dentre os estados do centro-oeste e do norte do país.
Vale recordar que dentre os produtos que aumentam a cada ano a importação feita pela China estão classificados na exportação de commodities,os alimentos, a exemplo da soja, o que provocou crescimento generalizado de preços e ajudou a melhorar a balança comercial brasileira e de forma muito relevante a mato-grossense.
Quando digo que os olhos do mundo estão mais abertos para enxergar claramente o que se passa com o mercado chinês, vale dizer também que a desaceleração econômica do país já está nas pautas de grandes eventos internacionais que ocorrerão até o final do ano, a exemplo da reunião de cúpula do G 20 e do encontro anual do FMI. Afinal, o que está em discussão é uma economia que vale US$ 10 trilhões, e que vem atrás somente a dos Estados Unidos, que é calculada em US$ 17,4 trilhões e está bem à frente da brasileira, que é US$ 2,3 trilhões.
Pedro Nadaf é presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso-Fecomércio/Sesc e Senac