O Brasil amanheceu ontem com ressaca moral. Uma nação inteira, por mais que alguém não goste de futebol, estava indignada. Perguntas não faltavam em busca de uma resposta que fosse no mínimo plausível para o vexame de uma goleada histórica, que por mais que temos a supremacia de ser a único país do mundo a conquistar o título de pentacampeão, certamente ficará de forma indelével a nos perseguir. Competições esportivas individuais ou coletivas sempre geram uma grande mobilização nacional, mas a do campeonato mundial de futebol é sem dúvida alguma a maior de todas.
Em um artigo, que escrevi recentemente, destaquei a importância do esquema tático no desenvolvimento corporativo, e ontem numa enquete feita por uma emissora de televisão em nível nacional, foi detectado que o esquema tático definido pelo técnico Luiz Felipe Scolari, o líder maior na condução da seleção, foi o responsável pelo resultado.
Não adianta simplesmente ter um esquema tático se o mesmo não for eficiente, e gerar por parte do próprio líder uma atitude positiva. Fazer algo a mais do que se espera, por exemplo, reflete um modo de agir pró-ativo, uma postura capaz de fazer a diferença. Este diferencial, portanto, pode refletir em conquistas, ou seja, definir e ganhar o jogo, do qual se desejou participar. Ainda que falando de forma figurativa.
Para mudar é preciso agir e para assumir comportamentos competentes é preciso ação, que reflete não só no individual, mas também, e principalmente, no coletivo. Parar, pensar e mudar, por exemplo, podem se resumir em transformação. Numa trajetória, por mais que se tenha experimentado o sucesso, e obtido o reconhecimento público por nossas competências, é preciso ser aberto a mudanças e a auto avaliação. Extrapolar o que pode ser limitante, ao se assumir responsabilidades, por mais que seja num cumprimento de um mesmo papel, já desempenhado com sucesso, é preciso reavaliar se o caminho a seguir é o certo. O que mudou de um ano para o outro. No mundo corporativo é conhecer as mudanças de gestão e de mercado, no mundo esportivo a performance da equipe técnica dos adversários.
No dia seguinte a vexatória derrota do Brasil, na Copa do Mundo, Scolari, assumiu a responsabilidade pelo resultado catastrófico e vergonhoso. Por mais que o jogo seja o resultado do coletivo, teve quem traçou o esquema tático, gerando um resultado de frustração e de grande impacto negativo que ecoou pelo mundo. Neste momento, em que se almeja ainda um terceiro lugar no campeonato mundial, a pergunta que não se cala é: que atitude tomar? Seja qual for a decisão do técnico, que tem em seu curriculum o pentacampeonato, uma coisa é certa, não pode de forma alguma aumentar a frustração e a indignação da nação, e isso é fato.
Campeonato é uma palavra que tem sua derivação do germânico Kamp, que se traduz como campo de batalha. Na realidade, eu nunca havia pensado nisso tão fortemente como ontem, lá estávamos nós num campo de batalha, sendo bombardeados e aturdidos, com a destruição do sonho de o Brasil se tornar em casa hexacampeão, antes de qualquer nação. Isso pode não ser tudo, pois temos outras coisas importantes para nos preocupar, mas que nos deixou sem chão, isso não me resta dúvida.
Pedro Nadaf é secretário-chefe da Casa Civil e presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso – do Sesc/MT e do Senac/MT.